domingo, 19 de novembro de 2017

A-cor-dar


Acorda!
Já passou da hora de despertar, oh  consciência.
Seja ela negra, rosa, ou de todas as cores do arco íris.


A consciência tem que ser humana -
Que valoriza a vida.
Não de forma antipática ou apática,
Mas empática;
Que no campo do  desconhecido
Não se desconecta
Por conta do corrompido subconsciente coletivo
Mas conecta-se
Com a humanidade 
Da Terra, do pó,
Em prol
Da unidade, 
Da consciente consciência
Que o planeta terra é feito de gente
Com jeitos e trejeitos
Com personalidade própria
Com respeito mútuo à diversidade criativa do ser
Que faz parte desse fantástico ciclo da vida.



 Lina Linólica


19/11/2017 – 


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Culpa é da Baleia?


Eu confesso que tenho muito medo dessa febre da baleia azul que tem infestado as redes sociais sugestione ainda mais as nossas crianças e adolescentes para esse caminho. Isso era uma mensagem fake, daquelas que que alastram na internet, mas depois de muito se alastrar, ela ganhou vida e agora é verdadeira, sabe por que?  Nossas crianças  e adolescentes, embora aparentem experts em tecnologia, são pessoinhas “tenras” , cujo o caráter está sendo formado. Elas são frágeis, não tem resiliência e as  redes sociais, são muito perigosas para elas. Tanto é que a maioria delas tem um  termo de compromisso, que talvez muitos pais desconheçam: “Não deve usar o Facebook se for menor de 13 anos”. O mesmo vale para Instagram, Pinterest, Snapchat e Twitter. No YouTube, crianças podem assistir, mas apenas adolescentes a partir de 13 anos podem criar um canal. O WhatsApp define limite maior, de 16 anos.”   Atribuir a culpa ao jogo baleia azul é muita infantilidade por parte da sociedade. Outros jogos, seriados, etc, virão.  Será que ninguém percebeu que tem muita coisa errada na educação desses meninos?  Faz muitos anos que através do meus artigos venho tentando conclamar aos pais sobre o cuidado com nossas crianças e adolescentes. Tenho visto uma geração de filhos órfãos de pais omissos. Sei que deve ser difícil educar nessa era digital, mas não desista. Encontre uma forma de aproximar-se do seu filho. Conheça o seu idioma. Crie vínculos afetivos. Busque incessantemente um jeito de se aproximar dele e saber quem ele é, conhecer sua personalidade, tentar descobrir seus sonhos, suas angústias, seus dilemas.   

Fiz um recorte dos textos que escrevi  nesses últimos 5 anos, o qual compartilho novamente.


“Muitas vezes queremos proteger demais as nossas crianças dando tudo a elas e  talvez a vida se torne insossa. Talvez ela esboce um sorriso, agradeça e só. A criança precisa muito mais que isso... precisa de desafios, precisa aprender a vencer os medos, precisa descobrir a vida  e acima de tudo: Pagar o preço. E esse pagar o preço é que faz a diferença no sistema educacional, na ética e na sociedade. Quem tem ouvidos, ouça!” Janeiro /2016 -  O menino e o pirulito - http://linolica.blogspot.com.br/2016/01/o-menino-e-o-pirulito.html

"Acho muito importante a  infância ter essa sinestesia – cores, sabores, cheiros, músicas e toques.   Só que eu to meio assustada, pois parece que isso se perdeu. Parece-me que a infância está plastificada nas telas, telinhas e telões.  Momentos, são momentos...  não dá para plastificá-los ou prendê-los numa tela de smarthphone.  Essas sensações estão  sendo trocadas pela exposições e que isso tem gerado um pequeno pane destrutivo na nossa humanidade. Será que a infância das nossas crianças não tem sido “plastificada”?  Eu li vários comentários dizendo que o garotinho precisava era de uma surra... mas acho que vai muito mais além,   ouso dizer que  esse garotinho não está sozinho. Está sendo formado um exército de garotinhos que fazem birras por algo que nem sabem o que querem, vou usar um termo dentro da minha concepção é nova: está se formando uma nova geração de crianças estressadas. Digo isso com propriedade,  pois acompanho o desenvolvimento de crianças,  já que  desde 1999 estou  na educação digital e, realmente,  tenho me assustado com essa nova geração. Acredito que tem excesso virtual e falta a essência verdadeira: o toque, o aconchego, o amparo, a oração, o colo, o diálogo,  o sabor da comida gostosa, a música acalentadora, o cheiro da natureza, a cor da família."Outubro/2015 – o menino destruidor e a salsicha - http://linolica.blogspot.com.br/2015/10/o-menino-destruidor-e-salsicha.html

   
"Que lindo!!! Essa geração já nasce sabendo tudo a respeito de tecnologia!
 Essa é uma falácia. Eu ouço as pessoas constantemente dizerem isso o tempo todo e todo mundo acredita.  Talvez o menino aperte um monte de botões, dá certo e ele repita a operação, mas não significa que ele é um gênio na tecnologia e não precisa de ensino. Os aplicativos tecnológicos são intuitivos e qualquer um pode usá-lo.    Tecnologia é fácil aprender o difícil é atrelar-se a valores. Recentemente participei de palestras com Rodrigo Nejm, diretor da Safernet e cheguei a seguinte conclusão "Imagine uma linda praça pública. A praça, em si, não é perigosa, mas pode ter locais ermos ou iluminados. Agora imagine com 2 bilhões de pessoas nela. Uma diversidade incrível de pensamentos - pessoas de boa índole, pessoas de má índole. Você deixaria seu filho pequeno sozinho nessa praça? Bem vindo ao cyberespaço!!!"  Talvez você pense:  - é apenas um celularzinho... É simples vá com ele a essa praça.  Não o proíba de ir, mas vá com ele.  Oriente-lhe bons lugares para brincar. Brinque com ele. Estreite esses elos.  Ensine-lhe um caminho bom.  Desde que o mundo é mundo os pais devem ensinar o certo e o errado. O que é perigoso e o que não é. Talvez os pais não enxerguem esse perigo, pois se apropriou desse pensamento: “Essa geração já nasce sabendo tudo a respeito de tecnologia!” e em sua mente logo vem a justificação: “Se sabem tudo, não tem o que lhes ensinar”. Tem muito a lhes ensinar sim. E são valores. São valores que a nossa sociedade digital precisa.  Talvez você não veja o perigo, afinal ele está tão seguro dentro de casa... mas lembre-se é uma praça com 2 bilhões de pessoas nela.  Maio/2012 – Educar na Cultura Digital - http://linolica.blogspot.com.br/2012/05/educar-na-cultura-digital.html"

"Sabe o que eu percebi nesses 12 anos dando aulas? que os nossos melhores alunos são aqueles cujos pais o estimulam em vários sentidos: oferecendo-lhes limites, sendo parceiros da escola. Valorizando a literatura, a artes, navegando com os filhos. Amava quando um pai ou mãe me procurava e dizia que jogava os joguinhos que eu aplicava com seus filhos. Isso é elo e dos bons. Normalmente eram esses os melhores alunos da escola. Esses meninos vão longe, sabe por quê? Porque estão andando com pais sábios.
Porém eu vi outro estímulo, o qual tem me preocupado muito. É um estímulo negativo. E já desconfiava, mas fazendo uma busca no Google dos vídeos mais vistos pelos brasileiros, constatei o que eu mais temia: A quantidade de cultura inútil que é vista involuntariamente pelos nossos meninos é avassaladora. E alguns programas de TV, que não são nada bobos acabam disseminando mais ainda essa cultura inútil. Se eu ando com os sábios, torno-me sábio, caso contrário, serei companheiro de tolos e me acabarei mal. E é assim que tem acabado o nosso sistema de ensino brasileiro. Muito mal.
Isso me assusta, porque muitos meninos preferem andar com tolos, fúteis e inúteis do que apegar-se a coisas sábias e isso poderá gerar conseqüências no futuro. Na verdade, já está acontecendo.  Setembro/2011

"Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal." Pv. 13:20 - Pai! Seja o sábio na vida do seu filho. Segure em sua mão e guia-o em um bom caminho :)

Pense nisso!

Lina Linolica – 04/2017

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Os últimos 15 livros que li nas férias - minhas recomendações

A paixão por um determinado livro é algo muito pessoal. Tem livro que eu amo, porém você poderá odiar. Aqui em casa, eu e meu marido temos gostos muito distintos. Não sei quem lê mais aqui em casa, se é ele ou eu, mas eu não gosto de ler todos os livros dele e vice-versa. Porque estou escrevendo tudo isso?  É que volta e meia eu quero sugestões de livro e fico sempre na dúvida se a pessoa que postou tem gosto parecido com o meu. Sempre que brinco de amigo secreto, acabo pedindo livros de presente.  Ganhei livros em 4 brincadeira,  mas não gostei de nenhum dos 3 livros que ganhei. Um era cult demais, outro era didático demais, outro era mais para um perfil masculino. Daí acabei não lendo, mas meu marido leu um deles e gostou demais.  Qual é o meu perfil, então? Gosto de ler para relaxar, gosto de literalmente viajar na leitura, seja ele ficção ou não. Gosto de conhecer novas culturas e se for um romance, por favor que tenha final feliz.

Quando eu não estou mochilando nas férias eu tenho que ler pelo menos uns 3 livros. Então esses foram os últimos quinze livros que li nas minhas férias.

1) Fique onde está, então Corra - Gostei bastante, embora é meio temática de guerra, deu para ler em um fôlego só. Recomendo a leitura.




2) Existem Crocodilos no mar - É uma leitura deliciosa. É o tipo de livro que gosto, pois envolve cultura de outro país e também a gente acaba se envolvendo com a questão do refugiado e o mais legal que é uma história verídica. Chorei muito ao  término do mesmo.  Esse eu mais que recomendo.




















3) O Escaravelho do Diabo - Eu tinha lido esse livro quando era pequena, mas com o lançamento do filme baixei um PDF no Celular e o reli novamente. O filme fugiu muito da realidade do livro. Penso que a escritora quis dar uma Agatha Christie brasileira utilizando-se de uma trama recheada de assassinatos e suspenses. Vale a pena ler de novo.






















4) Canta a Minha Alma - É um livro de crônicas cristãs, de uma amiga querida -  irmã Leila Mota Silva da Igreja Evangélica de Vila Yara, a qual eu fiz parte e conheço essa mulher  de coração apaixonado por Jesus. Recomendo para aqueles que amam a Jesus.

5) Vide Verso - É um livro do meu amigo Juca de Souza, também amigo querido e irmão em Cristo, que precisava desnudar o seu coração em decorrência da perda do seu filho. É um livro de poemas impregnados de sentimento e recordações. Recomendo para corações sensíveis.


6) Esse livro é recheado de tensão. É a história verídica de uma jornalista francesa que finge ser uma jihadisda através de contatos na internet. Realmente assustador, pois é o que tem acontecido nos dias de hoje. Recomendo a leitura.

7) Eu sou Malala. Livro emocionante de uma menina paquistanesa que é uma lutadora pelo direito à educação. Amo a coragem de Malala. Ela é apaixonante e a sua história também e eu super recomendo


8) Era uma vez uma Princesa, conta a história de um princesa Malaia que luta pelos direitos da mulher e nesse interim tem os seus filhos sequestrados, pelo próprio pai das crianças. É uma história fascinante e dá para se viajar para diversas culturas e continentes. Eu amei esse livro e eu super recomendo.

9)  Peturs Logus. Fazia tempo que não lia um livro de Cury e esse é uma ficção pura, mas com grandes lições. Só fiquei irritada porque queria o volume 2 e até agora não lançaram, então eu não vou recomendar enquanto não sair o volume 2.


10)  O Doador de Memórias -  Como eu tinha gostado do título do livro, acabei comprando esse livro e realmente ele tem um enredo interessante, meio futurístico... mas fiquei meio no vácuo no final, pois tinha o volume 2  - A Escolhida. Eu não recomendo e explico no próximo livro o porquê.


11) A  Escolhida - Daí eu fui à loja a procura desse livro, pois estava hiper curiosa por conta do livro acima que era a sua continuação. Li, li e li e não vi nenhum link com o livro acima. Não sei se eu não entendi, mas fiquei meio no vácuo. Eles tem enredos que prendem a atenção, mas o final fica meio no vácuo. Acho que não gostei, portanto não recomendo.

12) Cisnes Selvagens. Esse é o tipo do livro que tenho saudades e dá vontade de ler novamente só para me embrenhar nessa deliciosa dinastia chinesa. É um livro onde você mergulha na história e na cultura do povo chinês. É uma história verídica e realmente eu me apaixonei por esse livro. Eu super recomendo


14) O Silencio das Montanhas. Para quem curtiu o Caçador de Pipas e A Cidade do Sol, vale a pena ler esse livro do mesmo autor. Embora tem o núcleo de personagens meio grande, ele tem um boa e emocionante história. É novamente umas daquelas narrações envolvendo povos, culturas, sinesterias, emoções. Eu super recomendo.

15) O Guardião de Memórias. Depois de ler esse livro, apaixonei-me mais ainda por crianças especiais e o quanto os pais dessas crianças são privilegiados em fazer parte desses crianças tão amáveis e tão peculiares. É uma narrativa envolvente e emocionante. Super Recomendo.







Tinha um aplicativo no orkut onde eu registrava todos os livros que lia e estava atualizando, mas ele sumiu com o orkut... Queria lembrar todos os títulos que li, mas isso fica para um outro dia. 












quinta-feira, 7 de abril de 2016

Quem era homem, quem era porco...

Hoje eu estava pensando num episódio bíblico (Marcos 6) que me chamou muito a atenção .  Era uma festa de aniversário: tinha um rei de personalidade fraca, uma rainha egoísta e uma jovem fútil  que brincavam  com o poder e tomavam atitudes néscias  cortando a cabeça de um inocente. E assim esses poderosos corrompiam, massacravam e faziam coisas ao seu bel-prazer.  É claro, que nos dias de hoje não vemos essa situação extremista de cortar cabeças, talvez só no estado islâmico, mas vemos atitudes radicais de egoísmo, tudo em nome da corrupção e quantos inocentes são “assassinados” por conta da ganância. Isso me faz lembrar o livro ‘Revolução dos Bichos” de Eric Arthur Blair,  que usava o pseudônimo George Orwell. "Doze vozes gritavam cheias de ódio e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera a fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco." Sem ter lido Orwell, percebe-se que  Jesus tinha nojo disso, dessa gana por poder. Tanto é que esse rei queria ver Jesus e se Jesus quisesse, ele poderia ir àquele palácio, até mesmo para confrontá-lo e quem sabe mandar uma praga do céu por conta da morte de seu primo João Batista. Mas, o grande ensino de Jesus é que ele queria distância desse povo, mas distância mesmo, tanto é que ele vai para um lugar bem deserto, longe do sistema envaidecido e ensandecido e ali Ele fez o que  “Estado” deveria ter feito: ensinou (cuidou da educação), curou (cuidou da saúde) alimentou (cuidou das necessidades básicas) e com isso, os corações foram acalentados. Se ele tivesse ido para aquele “palácio” poderia se contaminar, mas ele foi para o deserto, longe do sistema manipulador e corrupto, longe das festas e distrações do palácio e em uma das versões bíblicas fala que a primeira coisa que ele fez, antes de multiplicar pães foi “Ensinar”.  E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas – Marcos 6:34.  A educação é prioridade e o que será que Jesus ensinava? Ensinava ética e cidadania (pois o grande enfoque era o amor ao próximo e isso nada mais que ética e cidadania)  Confesso que ensinar não é fácil. Tenho tentado ensinar os meus alunos a se “viciarem em livros”, pois sei que os livros vão libertá-los da ignorância,  mas me deparo com tanta preguiça, tanta incredulidade, tanto descaso. Infelizmente muitos preferem se contaminar com as distrações que não vão levá-los muito longe, mas enfim, tenho tentado compartilhar alimento bom. E Jesus aproveitou ambiente do deserto, e ensinou, curou, alimentou e abençoou. Tá certo, que essa multidão não aprendeu muita coisa, depois eles incitaram para crucificá-lo, mas Jesus deixou o exemplo. Ele foi um líder voluntário. A Bíblia está repleta de lições, e talvez essa seja uma grande lição: Um bom líder não se deixa contaminar pelos prazeres do poder, não toma da forma da corrução, mas o bom líder serve. Uma vez li que Suécia os parlamentares não recebem salários, não possuem mordomias e segundo a  Organização Transparência Internacional, a Suécia é  um dos países menos corruptos do planeta. São políticos que servem. Às vezes, eu tenho a impressão que esse sistema “palaciano corrupto” se assemelha  a uma grande árvore com muitas raízes que vão se alastrando em meio a população, invadindo tudo, tipo aqueles filmes de ficção, parece que o brasileiro tem sido abduzido pelo egoísmo, pela corrupção, pela maldita lei de Gerson, que sempre pensa em levar vantagem em tudo. Ah... como eu queria que essas malditas raízes da corrupção fossem destruídas, mas isso só acontecerá no “deserto”, longe desse maldito sistema corrupto, com muita, mas muita educação”, onde pais poderão   aprender com Jesus sobre ética e cidadania e ensinar seus filhos e netos sobre como se portar em sociedade.  Ah... Jesus, ensina-nos, ensina-nos!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O menino e o pirulito

As crianças sempre tem o que nos ensinar.
Era apenas um aniversário de crianças como outro. Decoração, bexigas, lanches, refrigerantes e crianças de todos os tamanhos e formas. Logo após o parabéns, uma multidão de meninos e meninas gritavam em uníssono para estourar o bexigão. Como uma manada de elefantes frenéticas tentavam alcançar o que seria o ponto alto da festa: o bexigão cheio de doces. Fiquei observando a cena meio a distância. Um menino de uns 2 ou 3 anos, no máximo, queria fazer parte daquele ritual, mas se mantinha a uma distância segura, que era mais ou menos próximo a mim. Eu cheguei perto dele e o  incentivei: - Vai lá, corre! Vai pegar um docinho. Aquele ser tão pequenino encostou-se pertinho de mim. Senti o seu coraçãozinho em disparada e disse: - Tem farinha! Tô com medo! Ah... mas é legal, vai assim mesmo! Ele andou alguns passinhos tímidos, mas voltou. Fiquei morrendo de dó. Porque ele era muito pequenino e próximo ao balão tinha crianças imensas, com certeza iria ser massacrado. Ele sabia disso e teve medo.  Não me contive. Fui até lá, e pedi a uma das anfitriãs um dos  pirulitos, que ela  estava jogando ao ar enquanto o balão ainda não tinha sido estourado.  Cheguei perto do garotinho e estendi o pirulito. Fiquei observando a sua expressão. Ele pegou o pirulito, me agradeceu. Abriu o pirulito e chupou. E só. Não esboçou sorriso, alegria, ou sei lá o que.
Fiquei feliz, pelo menos o garotinho não ficaria com vontade de chupar o pirulito. Mas eu descobri que não era o pirulito que ele queria, mas vencer o seu medo.
E quando aquele bexigão foi estourado. Não tinha farinha, mas confetes, serpentinas e é claro, os pirulitos. Ele largou tudo e foi em meio àquela muvuca de crianças. Dali a pouco o vejo saindo triunfante. Em sua pequena mão  trazia um pirulito. Sua feição agora era outra. Trazia um grande sorriso nos lábios e aquele pirulito foi a sua vitória. Ele pulava de alegria. Ele conseguiu.
É uma cena tão simples, mas que deixa a nós uma rica lição e daí podem surgir outras lições:

Muitas vezes queremos proteger demais as nossas crianças dando tudo a elas e  talvez a vida se torne insossa. Talvez ela esboce um sorriso, agradeça e só. A criança precisa muito mais que isso... precisa de desafios, precisa aprender a vencer os medos, precisa descobrir a vida  e acima de tudo: Pagar o preço. E esse pagar o preço é que faz a diferença no sistema educacional, na ética e na sociedade. Quem tem ouvidos, ouça!

Obs,: Entrei no google para achar uma imagem para por junto com a postagem e achei a imagem desse menino. Eles são muito parecidos, na compleição, na expressão. Até parecia o meu menino. 

sábado, 31 de outubro de 2015

O menino destruidor e a salsicha

Se você entrou aqui pensando em ler alguma sacanagem, pode ir saindo, pois essa postagem não tem essa finalidade (risos).

No facebook sempre tem algum assunto que se viraliza: O primeiro  foi   um menino destruindo uma escola e a segundo sobre  o perigo de alimentar-se de carnes processadas, dentre elas a salsicha. Quero começar minha defesa em prol da salsicha e depois a gente associa com o menino.


Às vezes, tento relembrar minha infância e a mais remota talvez tenha acontecido no ano de 1969:  " Era uma imensa fila do INPS, não lembro como chegara até ela, com certeza foi de ônibus, mas esse trajeto todo foi apagado de minha mente. Também não lembro o que eu fora fazer lá, talvez fosse para passar em algum médico, isso também foi apagado de minha mente. O que realmente  ficou gravado foi  a imagem de um homem albino que vendia cachorros quentes, através desse diálogo:
- Eu vou querer um completo e divide ao meio, porque elas são pequenas e não conseguem comer um inteiro. Dizia minha mãe.
- Eu consigo comer um inteiro mãe, eu juro que consigo. Dizia eu.
- Fica quieta menina. Não consegue não!
 O homem sorria com suas faces avermelhadas pelo sol diário e cabelos brancos carapinha e preparava com esmero nosso cachorro quente. Mamãe pagava a valor combinado, e saia com os dois pedaços daquele lanche.  Dava metade para mim e a outra metade para minha irmã. Ela justificava ao vendedor que não gostava de comer nada na rua, mas desconfio que ela nunca comeu um cachorro quente na vida.
Eu devia ter uns 4 anos e minha irmã uns 10 anos.  Eu comia o meu pedaço bem devagarinho, tentando degustar bem, pois para mim era o melhor sabor que existia no mundo. A mostarda e a salsicha eram deliciosos, sensacionais, fenomenais."

 Para mim, infância feliz tem gosto de cachorro quente.

Confesso que ainda busco aquele sabor, busco pela cidade o senhor albino com o seu carrinho de cachorro quente.  São mais de 45 anos de busca. Se alguém souber do seu paradeiro me avise, nesse ínterim comi centenas de outros cachorros quentes, mas nenhum com aquele sabor, porém desconfio que se eu o acha-lo a magia tenha se perdido no tempo e no espaço.

Esse episódio do cachorro quente me fez pensar em duas coisas

1) Falta sinestesia na infância hoje em dia

Acho muito importante a  infância ter essa sinestesia – cores, sabores, cheiros, músicas e toques.   Só que eu to meio assustada, pois parece que isso se perdeu. Parece-me que a infância está plastificada nas telas, telinhas e telões.  Momentos, são momentos...  não dá para plastificá-los ou prendê-los numa tela de smarthphone.  Essas sensações estão  sendo trocadas pela exposições e que isso tem gerado um pequeno pane destrutivo na nossa humanidade. Será que a infância das nossas crianças não tem sido “plastificada”?  Eu li vários comentários dizendo que o garotinho precisava era de uma surra... mas acho que vai muito mais além,   ouso dizer que  esse garotinho não está sozinho. Está sendo formado um exército de garotinhos que fazem birras por algo que nem sabem o que querem, vou usar um termo dentro da minha concepção é nova: está se formando uma nova geração de crianças estressadas. Digo isso com propriedade,  pois acompanho o desenvolvimento de crianças,  já que  desde 1999 estou  na educação digital e, realmente,  tenho me assustado com essa nova geração. Acredito que tem excesso virtual e falta a essência verdadeira: o toque, o aconchego, o amparo, a oração, o colo, o diálogo,  o sabor da comida gostosa, a música acalentadora, o cheiro da natureza, a cor da família.

2) Tudo que é em excesso não é bom

Eu queria um quente cachorro inteiro, minha mãe só deu uma metade. É claro que naquela época era um problema financeiro e minha mãe se privava de comer para dar  para a gente, mas essa limitação financeira foi extremamente benéfica para nos fazer feliz.   Gerou dentro de mim uma expectativa de que quando eu voltasse no INPS ganharia mais cachorro quente.  Na verdade,  foi gerado dentro da gente essa valorização, essa expectativa positiva, esse desejo de nos superar. Não tínhamos nada de “mãos beijadas”. Tudo tinha seu preço, o inverso do que é hoje, onde tudo muito gratuito. As crianças não pagam preço por nada. Não estão sendo geradas expectativas. Todo o pedido  é realizada como um passe de mágica. – É a geração que odeia esperar, tudo fastfood: - Quero ir ao Mac Donalds! Quero comer batatas fritas todos os dias! Não quero estudar, quero apenas brincar! Quero um tablet! Enjoei do tablet, quero um smartphohne! Quero coisas e mais coisas e quando eu não tenho, eu destruo, faço birra. Daí compramos, abarrotamos nossas crianças de coisas. Todo esse excesso de coisas tem feito mal as nossas crianças, assim como o excesso de salsicha pode ocasionar um câncer.  Fica a dica!

... concluindo

 Eu sei que um monte de gente vai parar de comer salsichas por esses dias, assim como deixou de comer feijão, assim como deixou de beber a coca cola e assim como torceu para que o menino destruidor do vídeo levasse uma boa surra e tudo se resolveria, mas não é bem assim é preciso trabalhar na estrutura, nas bases e percebo que elas estão bem “capengas”. Eu penso que essas soluções imediatistas de nada resolvem. Vamos trabalhar nas bases? Vamos deixar as nossas crianças serem crianças?  Não vou nem falar do limite, pois todo mundo está careca de saber da importância de impor limites...porém quero mudar um pouco esse discurso sugerir que sejam resgatadas essas sinestesias? Vamos parar de dar tudo para elas? Vamos dar o essencial – Deixem vir a mim os pequeninos, não os embaraceis (tem pais embaraçando demais), porque dos tais é o reino de Deus (o reino é um lugar feliz e a criança tem essa percepção de felicidade nas pequenas coisas – deixem elas de forma simples e desprovida de recursos, serem crianças. Chega de destruir, vamos reconstruir bons meninos.

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Lina Linólica

0utubro/2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

Sai da caixa, você também

Na década de 80 foi criado um slogan que dizia:  Vem pra caixa você também! Na verdade, era para você ser cliente de uma instituição financeira... Hoje, eu fiquei meditando sobre as nossas caixas, daí aproveitei o slogan no inverso.

Tinha um homem que ficou boa parte de sua vida, 38 anos sentado, olhando talvez para uma pilastra, dentro de uma grande caixa, esperando as águas se moverem. Um dia, Jesus passa por esse homem, dá-lhe uma ordem para se levantar, pegar a sua cama e sair andando.  E assim ele faz... Ele era paralítico e foi curado. Ele saiu da sua caixa e se pôs a caminhar, talvez ainda incerto e sem metas, sem alvos. Jesus novamente encontra com ele e diz: - Não peques mais para que isso não aconteça novamente...
Esses personagens bíblicos que viveram em épocas tão distantes, tem características tão semelhantes às nossas.
Às vezes, me sinto como esse homem. Tão travada em meus movimentos. Dentro de uma caixa: que é minha casa, meu carro, meu trabalho, a comunidade que frequento, essa é minha zona de conforto. Ficamos nessa zona de conforto, mas nosso querido Jesus diz: - Sai da caixa! Vai! Levanta, toma tua cama e anda. Vai ter sonhos, vai ter metas. Não deixe de sonhar, não entre na zona de conforto, nessa rotina paralisante, a qual a vida acaba passando tão despercebida aos nossos olhos.
Hoje, dei saída da minha caixa para espiar a vida.  Saí de à pé pelas ruas de Osasco e vi:
- Casas tão fechadinhas, cheia de proteções com medo da violência que infelizmente assola essa cidade. Alguns cachorros presos, pobrezinhos, latindo desesperadamente para talvez chamar a atenção.
- Árvores floridas. É primavera e as cores dessas árvores são de encher os olhos da gente de gratidão. Tinha árvores frutíferas como amoreiras e mangueiras que atraiam sanhaços, bem-te-vis e periquitos. Eu juro que hoje eu vi os três.
- No meio do caminho tinha uma praça. No meio da praça tinha homens aposentados  que conversavam  ao lado de uma roda de pombas que disputavam farelos de pão recentemente jogados ali.
- Ainda na praça tinha uma jovem gari que varria as folhas com esmero, deixando-a mais bonita, em contraste com o velho sofá e muitos entulhos que alguém deixou ali para enfeiar a praça.
Continuei a caminhar pelas vielas, rumo a feira de quinta-feira tinha um grande bonito muro, recém pintado com desenhos de grandes blocos amarelos. Uma senhora, que passava por ali, sorriu para mim e disse: - Que lindo que está esse muro, quanta criatividade. Se todos a usassem assim! Eu sorri para ele e pessimistamente pensei: - Pena que vai durar tão pouco tempo. Logo os pichadores virão e detonarão aquela obra de arte.  E meu pensamento fez um link para um sorriso muito especial que presenciei ontem:
Na Ong onde trabalho, foi decidido que todo primeiro dia do mês, as aulas sejam ministradas pelos alunos maiores (13 e 14 anos). Esses adolescentes tem uma defasagem muito grande no contexto escolar, Eu os acompanho com as disciplinas português e matemática, através de um portal educativo e sei da grande dificuldade de cada um e tento ajudá-los como posso, mas é um trabalho que os resultados são bem morosos, mas enfim, ontem foi dia de um deles ministrar a aula. Eu perguntei para ele:
- Qual é o tema da sua aula?
Ele respondeu: - Vandalismo!
 E o que vai fazer?
- Vou pegar um vídeo no youtube, passar e  e depois falar com eles.
Ele procurou o vídeo, pediu para que eu colocasse no telão. Eu preparei tudo e quando estava pronto, os alunos menores entraram na sala e eu fiquei de canto observando.
Ele, na mesa central disse:
- Hoje vamos falar sobre o vandalismo. Vamos ver um vídeo!
Deixou o vídeo rodar por uns 3 minutos e parou (eles não tem muita paciência)
- Na sua escola tem vandalismo?
E os meninos e meninas começaram a contar rapidamente dos episódios acontecidos.
- Agora a gente vai fazer um jogo da pasta de jogos! É o número 32 (era da minha pasta de jogos que uso nas aulas que não tem internet)
E os meninos e meninas obedeceram e começaram a fazer o jogo 32. Ele caminhava orgulhosamente  entre os computadores olhando se todos estavam fazendo. Fez a chamada e sentiu-se muito feliz em fazer algo. Foi uma expressão de felicidade tão grande que marcou a minha mente.
Confesso que não foi uma grande aula, mas para ele foi o máximo e eu o elogiei ao término da mesma. Penso que foi um dia marcante para esse aluno.
São essas marcas que nos propulsionam a caminhar.
São essas marcas que nos fazem reflitir na vida.
E quando dei por mim, eu já estava na feira... dando risada dos feirantes que zombavam dos candidatos políticos que ali distribuiam seus santinhos.
Voltei para minha caixa. Afinal, tenho que preparar um bom almoço para os meus queridos.
Acho que a grande pegada da vida é fazer com que as pessoas andem. Não sejam atrofiadas em seus movimentos. Jesus veio para isso... e acho que ele quer isso de nós.